Valorização e boa remuneração são atrativos para quem trabalha longe de casa

Ourilândia

Tucumã, Parauapebas, Ourilândia do Norte. Se você desconhece a existência dessas cidades e nem sequer se arriscaria a apontá-las no mapa brasileiro, imagine a possibilidade de aceitar uma proposta de emprego para regiões no mínimo remotas em busca de um pé de meia recheado e crescimento na carreira. Quem resolveu encarar o desafio, cada vez mais frequente entre profissionais dos setores de construção pesada, mineração, siderurgia, energia e petróleo e gás, garante que a falta de infraestrutura, lazer e serviços aumenta as dificuldades já criadas pela distância da terra natal. Confessam, porém, que as oportunidades e os benefícios financeiros compensam, em parte, as restrições da região.

Foi em busca desse crescimento profissional que Luiz Mapa saiu de Ouro Preto com o curso de técnico em mineração pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e se arriscou nas terras distantes de Parauapebas, no interior do Pará, para trabalhar como estagiário da Vale em Carajás. “São 2,4 mil quilômetros de casa. Na época, em 1987, tinha acabado de me formar”, conta. A possibilidade de ascensão dentro da empresa se confirmou nos anos seguintes. “Galguei todos os cargos possíveis com minha formação de técnico. Fiz graduação em letras e em informática e, a partir daí, foi possível alcançar cargos de nível superior”, relata.

O diretor de contratos da Odebrecht, Fábio Toscano, compartilha história parecida dentro da construtora e confirma que é nas regiões mais afastadas que o funcionário ganha evidência e garante crescimento mais rápido na carreira. “O que me motiva a ficar aqui em Parauapebas é a perspectiva de novas conquistas. Para ter uma ideia, em cinco anos de empresa saí do cargo de trainee em Recife e cheguei a diretor de contratos hoje no Pará e ainda vejo possibilidades de ascensão”, avalia.

Apesar do grande destaque dado à carreira, ninguém nega que os atrativos financeiros também são fundamentais para sair da rotina de vida das conturbadas capitais para cidades que têm toda a economia voltada para a empresa onde trabalham. Além do adicional de transferência, que pode representar até 40% de aumento no salário, ainda há os auxílios moradia e alimentação, e até o custeio da escola dos filhos. “Recebo adicional de transferência (1) que representa um aumento de 45% do meu salário para auxiliar com os custos de vida da cidade. Hoje, consigo poupar quase 50% do meu salário”, conta Fábio.

Experiência

O alto custo de vida em Porto Velho assustou a paulistana Martha Rojas que, assumiu o cargo de analista socioambiental da Santo Antônio Energia em março. Apesar das surpresas, ela ainda consegue reservar 40% do salário para fazer a poupança. “Mas o que mais me atraiu a aceitar essa proposta foi o projeto da empresa e a possibilidade de novas experiências na região. Além disso, o mercado de São Paulo está muito saturado e aqui a chance de destaque é muito maior”, afirma.

1 – Atrativo

A legislação prevê o pagamento de um adicional sobre o salário original do trabalhador quando ele é convidado a se mudar de cidade. Por lei, esse pagamento suplementar deve ser de, no mínimo, 25% da remuneração recebida na localidade do contrato original. Na prática, o acréscimo pode representar até 40% de aumento, o que chega a justificar a decisão pela mudança, às vezes, radical.

O número 50% – Parcela do salário que se consegue poupar, em média, após mudança para uma cidade remota.

Perdas inevitáveis

Os profissionais que se arriscam por altos salários, seja onde eles estiverem, também amargam perdas, mas de outra ordem, como a falta de opções de consumo e lazer das cidades de origem. “Muitas vezes, a diversão em Tucumã era pegar o carro e dar uma volta pela cidade”, afirma o diretor de contratos da Odebrecht, Fábio Toscano, hoje morador de Parauapebas, outra cidade do interior do Pará. “Quando passei um período em Tucumã e Ourilândia do Norte, também no Pará, a situação era ainda mais precária. Economizava porque não tinha onde gastar”, conta Fábio.

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