“Não me interessa que ele tenha pago uma estrela porno”. Apoiantes de Trump desvalorizam

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“É mais importante conseguir que a Coreia do Norte desista das armas nucleares, é mais importante conseguir que o México faça jogo limpo no comércio – do que preocuparmo-nos se Donald Trump teve sexo consentido com alguém há anos.” É assim que James Montfort II reage quando questionado pela BBC sobre as recentes declarações de Michael Cohen, o antigo advogado de Trump que se declarou culpado em tribunal, afirmando ter pago a uma antiga estrela porno e a uma ex-coelhinha da Playboy para não revelarem os casos que tiveram com Trump. Tudo para influenciar os resultados das presidenciais de 2016 e por ordem do “candidato”.

A reação de Montfort repete-se quando se vão ouvir outros apoiantes do presidente – desvalorizam os problemas judiciais de Cohen e de Paul Manafort, o antigo diretor de campanha de Trump condenado esta semana por oito crimes fiscais. E garantem que estas notícias não passam de uma “distração” para que as pessoas não reparem no bom trabalho que o presidente está a fazer.

Residente na Virgínia, Montfort garante que saber se Trump pediu ou não a Cohen para pagar à ex-estrela porno Stormy Daniels e à ex-coelhinha Karen McDougal não vai mudar em nada a sua lealdade. Na quarta-feira, Trump veio garantir que o dinheiro saiu da sua conta pessoal e não das verbas da campanha, rejeitando a confissão do ex-advogado que se disse culpado de uso ilegal dos fundos de campanha.

Mas Montfort não está só na sua convicção. Cathy De Grazia, que conheceu Trump quando fez campanha por ele no New Hampshire em 2016 sublinha, também à BBC, “todos querem falar de sexo”. E garante: “Não me interessa se ele pagou a uma estrela porno ou a uma coelhinha da Playboy. Isso não tem impacto nas políticas dele”.

Dar um tiro a alguém e não perder eleitores

Este apoio incondicional parece vir dar razão a uma das frases mais marcantes de Trump durante a campanha. Quando em julho de 2016 reagiu às críticas dos então rivais na corrida à nomeação republicana num comício no Iowa garantindo: “Podia meter-me no meio da Quinta Avenida e dar um tiro em alguém que mesmo assim não ia perder eleitores”.

Nesta terça-feira à noite, em Charleston, na Virgínia Ocidental, Trump voltou a falar em “caça às bruxas”. E os seus apoiantes reagiram com gritos de “lock her up”, prendam-na, a cada referência que o presidente fez a Hillary Clinton.

Ouvida pela rádio Voz da América no final do comício, Patti Beaver confirmou que “as pessoas não estão preocupadas” com os problemas judiciais de Manafort e Cohen. Para ela o que interessa é o que Trump está a fazer “pela economia e pela América”, sublinhando “está a cumprir as suas promessas”.

Shawnery Patrick, que conduziu cinco horas para chegar ali, concorda. Os esqueletos no armário do presidente não lhe interessam, só o facto de ele “só ter feito coisas boas!”.

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