Paralisações na produção fazem indústria do Pará ter pior resultado em 17 anos

Brasil Econômia

As paralisações na produção do setor extrativo fizeram com que a indústria do Pará caísse 30,3% em abril, em relação a março. Foi a maior queda desde o início da série histórica, em 2002, e o terceiro recuo consecutivo, acumulando perdas de 38,8% no período. Considerando os primeiros quatro meses do ano, a produção do estado caiu 7,8%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje pelo IBGE.

As interrupções aconteceram por causa de riscos de rompimento de barragens de mineração, como a que aconteceu este ano em Brumadinho (MG), e de contaminação de reservas indígenas. O excesso de chuvas também contribuiu para a queda na produção extrativa.

“Depois de Brumadinho, aumentou a preocupação com questões ambientais dentro das plantas industriais desse setor, o que acarretou uma queda na produção”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida.

O setor extrativo também pressionou a indústria de Minas Gerais e do Espírito Santo, mas com menos intensidade que a do Pará, que tem 85% de sua indústria concentrada no extrativismo. Enquanto a indústria capixaba caiu 5,5%, a mineira avançou 0,1%.

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“A indústria mineira, por ter mais atividades que o Pará e o Espírito Santo, consegue suavizar essa queda”, explica o analista da pesquisa, mostrando que o setor extrativo representa apenas 18% da indústria de Minas Gerais.

Dez dos 15 locais pesquisados têm alta em abril

Além de Pará e Espírito Santo, os estados que ficaram com taxas negativas foram Rio de Janeiro (-4,5%), Goiás (-1,4%) e Amazonas (-1,2%). A pesquisa mostrou também que 10 dos 15 locais aumentaram a produção em abril, com destaque para Pernambuco (8,3%), Bahia (7,4%), Região Nordeste (6,1%) e Mato Grosso (5,1%), que reverteram o comportamento negativo de março.

São Paulo, principal parque industrial do país, teve alta de 2,4%, a mais intensa desde junho de 2018, influenciada pelo setor de veículos. “Houve uma volatilidade em fevereiro, março e abril, que pode ser explicada pela demanda doméstica, que está mais cautelosa em um ambiente de incertezas. Há também a crise na Argentina, que é o nosso maior mercado de exportação do setor automobilístico”, avalia Bernardo.

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