Muita água e pouco acesso pela população, uma realidade na Região Norte

Brasil Econômia

Aquífero de Alter do Chão, no Pará, água subterrânea em um dos maiores reservatórios do mundo. É, a Amazônia tem água em abundância mas nem toda essa disponibilidade hídrica é garantia de suprimento.

“A Amazônia é um paradoxo. Você tem uma grande disponibilidade hídrica, vê aquele rio enorme que não enxerga o outro lado dele, mas, ao mesmo tempo, as pessoas têm problema de ter água em casa”, diz o superintendente de Gestão da Rede Hidrometeorológica da Agência Nacional de Águas (ANA), Marcelo Medeiros. Os números confirmam essa afirmação.

O índice de atendimento da rede de abastecimento de água na Região Norte é o menor do país: 57%. A média brasileira é de mais de 83%.

No Amapá, a água chega a menos de 40% das casas. Apenas Roraima e Tocantins estão entre os 18 estados em que o atendimento urbano por rede de água indicam valores acima de 90%.

Os dados são do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos 2015, divulgado este ano pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental.

O diretor de Planejamento e Regulação da Secretaria, Ernani de Miranda, afirma que um dos maiores desafios do serviço de água e esgoto é vencer as desigualdades sociais.

Em São Félix do Xingu, no Pará, o servidor público Ezequiel Vieira lamenta não ter água tratada em casa, mesmo morando as margens de dois grandes rios da Amazônia, o Fresco e o Xingu.

Para ter água no seu salão de beleza em Santarém (PA) o cabeleiro Pedro Pierry Alves se juntou com outros moradores e fez um microssistema alternativo de distribuição de água.

A Companhia de Abastecimento do Pará (Cosanpa) é responsável pelo atendimento de 53 dos 144 municípios paraenses e pela água que chega à casa do Ezequiel e ao salão do Pedro.

O diretor de Operações da Companhia, Antônio Crisóstomo, justifica o abastecimento precário e diz que a saída para garantir água em todas as torneiras é realizar mais investimentos.

Segundo a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, os investimentos para melhorar a rede de abastecimento no Norte são os mais o baixos do país. Dos mais de R$ 12 milhões aplicados no Brasil por prestadoras, estados e municípios, apenas 3% foram destinados à região.

 

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