Militares entraram ontem no Tribunal Constitucional

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Os militares são tomenses entraram terça-feira à noite nas instalações do Tribunal Constitucional quando estava a ser feita a reavaliação do número de votos nulos e brancos relativamente às eleições do passado dia 7, isto numa altura em que o primeiro-ministro permanece fora do país sem que tenha até agora sido dada qualquer explicação oficial para isso

Enquanto permanece o mistério sobre o paradeiro do primeiro-ministro Patrice Trovoada, prossegue a reavaliação do número de votos brancos e nulos referentes às eleições do dia 7, tendo a agência Lusa referido que na terça-feira à noite um grupo de militares entrou nas instalações do Tribunal Constitucional TC), local onde decorria a referida operação.

A entrada dos militares no local onde se procede ao processo de reavaliação final do resultado das eleições presidenciais, foi recebida com aplausos por parte de uma multidão que não arreda pé das imediações daquelas instalações e com aparente indiferença por parte dos agentes da Unidade de Protecção dos Dirigentes do Estado (UPEE) e da polícia nacional que ali se encontram já há dois dias.

Horas antes da entrada dos militares, havia estado nas mesmas instalações, fardado, um general do exército gabonês, país onde nasceu Patrice Trovoada, que acompanhava o enviado especial do presidente Ali Bongo, que é igualmente presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEAC).

Esse enviado especial, que depois se soube ser Ahmad Allam-Mi, que é também secretário-geral da CEAC, foi ao país com uma mensagem para o chefe de Estado são-tomense, Evaristo Carvalho.

“O presidente em exercício da CEAC enviou-me para entregar uma carta ao Presidente da República e orientou que me inteirasse da situação política no país e ver em que medida a CEAC pode contribuir para a pacificação e retoma da confiança”, disse aos jornalistas Ahmad Allam-Mi, à saída do encontro com Evaristo Carvalho, segundo ainda a agência Lusa.

O que ficou por esclarecer foram as razões que levaram o enviado especial e o general das forças armadas gabonesas a irem ao edifício do TC, nem quem os terá autorizado a testemunhar o processo de reavaliação dos votos.

Há três dias, a Acção Democrática Independente (ADI), partido no poder e vencedora das eleições legislativas, com maioria simples (25 deputados em 55 na Assembleia Nacional), pediu ao Tribunal Constitucional a reavaliação dos votos nulos e brancos, acusando a oposição de cometer fraude eleitoral.

Por seu vez, o MLSTP e a coligação UDD-PCD-MDFM reclamaram vitória com maioria absoluta nas legislativas, com 28 deputados (23 para o partido e cinco para a coligação) e disseram-se prontos a formar governo.

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