Militante que dizia que coronavírus não mata e foi a manifestações agora pede oração para avó, internada em estado grave

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A militante de extrema direita Camila Abdo, que negava a gravidade do coronavírus, gravou um vídeo em que faz um apelo dramático para que as pessoas orem pela sua avó, que contraiu o Covid-19 e está internada em estado grave com a doença.

“Eu não perco a esperança porque isso é a palavra de Deus, e só cabe a Deus decidir o momento que isso vai acontecer.Milagres existem sim. Milagres acontecem o tempo inteiro. Então, eu não perco as esperanças, e eu peço, por favor, para quem puder orar. Orar para que ela saia dessa porque, por mais eu tenha ouvido ‘ah, mas ela já tem 100 anos’, ‘ah, mas ela já é idosa’, ‘ah, mas ela tem outros problemas’, tudo bem, mas ela é avó, ela tem uma família, ela tem pessoas que amam ela”, disse Camila, no depoimento transmitido outro militante de extrema direita, Mauro Fagundes.

Discípula de Olavo de Carvalho, Camila tinha uma militância feroz contra o isolamento social. Revoltou-se quando a escola de seus filhos suspenderam as aulas por conta da pandemia.

“O Rotavírus matou e mata crianças até hoje e nunca suspenderam… Mesmo vacina, meu filho está com o Rota. H1N1 também matou e não suspenderam. Pra que tudo isso?”, questionou.

Em outra postagem, disse que o coronavírus era, na verdade, uma desculpa para implementar política de desencarceramento, quando presos começaram a ser transferidos para prisão domiciliar para evitar a transmissão da doença.

“No mais, Coronavírus não mata”, defendeu.

Com a transmissão comunitária, é impossível dizer como a avó de Camila foi contaminada. Com problemas de locomoção, é provável que alguém tenha levado o vírus até ela.

É inútil responsabilizar alguém pela contaminação neste estágio da pandemia.

Mas é inegável que Camila tenha, deliberadamente, se exposto ao risco de se contaminar — e, portanto, manifestar os sintomas da doenças ou transmitir o vírus a outros —, quando anunciou a seus seguidores na internet que iria para a manifestação do dia 15 de março, apesar das advertências dos especialistas contra a aglomeração.

Ela faz parte de um movimento de extrema direita chamado Avança Brasil, pelo qual, como jornalista, faz o trabalho de divulgação. Como o movimento decidiu não participar do ato do dia 15, ela divulgou um vídeo em que avisou:

“No vídeo na página do Avança, eu falo em nome do Avança. No meu canal, eu falo em meu nome e, em meu nome, eu encontro vocês na Paulista, às 14 horas, no Vão do Masp.”

Depois que Jair Bolsonaro, em uma live com Mandetta, disse que a manifestação poderia ser adiada, ela foi ao Twitter:

“Nós, da facção olavista, estaremos presentes na manifestação. #DesculpaJairMasEuVou”.

A posição extrema de Camila surpreendeu até parentes que são médicos. Um deles, Rubens Calvo divulgou vídeo para alertar para a gravidade da doença, e recomendou o isolamento social. Para Camila, não adiantou.

E agora, mesmo diante do estado grave em que se encontra avó, dona Sebastiana, Camila continua com discurso político sobre a doença.

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