Lula a poucas horas da prisão

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Fiel à sua reputação como “xerife” de anti-corrupção, o juiz Sergio Moro, não esperou para desenhar. Pouco depois de 18 horas, da quinta-feira, 05 de abril, menos de 24 horas após a Suprema Corte negar habeas corpus para Luiz Inácio Lula da Silva, o magistrado encarregado da “Operação Lava-Jato” exigiu a execução imediata da sentença do ex-presidente brasileiro condenado em janeiro a 12 anos e um mês de prisão. O ex-sindicalista, figura icônica à esquerda, tem até às 17h de hoje (sexta-feira), horário de Brasília, para engajar a polícia. Dado o respeito de sua função passada, o juiz Moro especifica em seu mandato que proibiu o uso de algemas e reservou uma sala longe de outros prisioneiros, “sem risco de sua integridade física e moral”.

O ex-metalúrgico, primeiro resolvido a se envolver na polícia, teria sido persuadido a liderar uma “resistência pacífica”, chocado com a ansiedade do juiz. Uma decisão “tola”, disse ele a um jornalista brasileiro, que, segundo ele, só pretendia realizar o “sonho” do juiz Moro.

Para os advogados do ex-presidente, que pensaram que poderiam se beneficiar de uma estadia final relacionada à revisão de um recurso de “embargo à declaração” (um pedido de esclarecimento), Sergio Moro ofereceu uma negativa contundente. “Não há mais um recurso com efeito suspensivo da condenação em segunda instância”, escreve ele.

Em um Brasil dividido entre a raiva e a paixão, dividido entre o ódio pelo “bandido” e a adoração pelo “pai dos pobres”, a aplicação da lei não é auto-evidente. O ex-presidente, imodesto, disse em uma de suas reuniões no final de 2017 “Lula não é Lula. Lula é uma ideia. “. Mas para seus seguidores, uma ideia não vai para a cadeia. “Lula é legalista, seus militantes talvez menos”, insulta um parente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, temeroso de que os espíritos não se aquietem.

Às 19 horas da quinta-feira, em São Bernardo, cidade industrial do estado de São Paulo, a resistência foi organizada. Uma multidão estava avançando em direção ao Sindicato dos Metalúrgicos, onde o ex-sindicalista tinha recluso. O lugar, o berço do PT e a luta dos trabalhadores, onde a carreira política de Lula começou sob a ditadura militar (1964-1985), tornou-se um bunker. Determinados a proteger seu herói de uma justiça que julgam “arbitrária”, os simpatizantes de esquerda pretendiam acampar na frente do prédio até o término do prazo imposto pelo juiz Moro. O desafio é forçar a polícia federal a invadir as dependências para buscar Lula.

“Tudo em São Bernardo! (…) a casa de Lula, em vez de resistência “ordenou Gleisi Hoffmann, presidente do PT criticando o” ódio “o” rancor “e” obsessão “do juiz Moro para Lula. “Haverá uma mobilização e resistência à democracia”, disse Guilherme Boulos, figura ascendente da política e pré-candidato nas eleições presidenciais de outubro para o partido Socialismo e Liberdade (Psol, à esquerda).

Dentro da classe política brasileira, poucos aplaudiam a precipitada queda do ícone. “Não podemos celebrar a prisão de um ex-presidente”, comentou Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, refletindo o estado de espírito de muitos de seus colegas. Além de uma empatia real com o ex-chefe de Estado, Brasília teme que sofra, mais cedo ou mais tarde, o mesmo destino do ex-presidente. De acordo com a contagem do site do Congresso em foco monitorando as notícias parlamentares, 40% dos deputados e senadores estão com problemas com a lei. “Nenhum político, simpatizante de Lula, achava que Lava-Jato iria tão longe. A atmosfera está em pânico e perplexidade “, observa Sylvio Costa, fundador do site Congresso em foco.

A histórica operação judicial desvendou as práticas de vilania ligadas ao financiamento de campanhas que desacreditam os principais partidos de esquerda e direita. Lula não escapou das acusações. Mas tirando proveito de sua aura, ele continuou sendo a eleição favorita para a eleição presidencial, com mais de 35% das intenções de voto.

Sua saída da pista deixará um vácuo mergulhando o país em incerteza. “Ao contrário da imagem que ele às vezes dá Lula era um pacificador do elemento cena”, disse o analista político Mathias Alencastro. Alguns dos eleitores, desorientados, podem se afastar da política brasileira. Outra acho que eu encontrei o “salvador da pátria” em uma posição para restaurar a ordem em uma deriva democracia na pessoa de Jair Bolsonaro. O candidato de extrema-direita, militar arma reserva defensor do porto e da pena de morte, foi recebido quinta-feira no aeroporto regional de Caixa do Sul, no estado do Rio Grande do Sul por aplausos da multidão.

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