Jungmann dá aval a que Boeing assuma área militar da Embraer

Brasil

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que o governo poderá permitir a venda da Embraer para a americana Boeing, incluindo a divisão militar da empresa. O Brasil, destacou o ministro, só não abrirá mão do controle da companhia porque isso significaria “flexibilizar a soberania nacional”.

“É possível fazer uma parceria ou promoção comercial também na área militar, desde que seja resguardado o sigilo, caso a caso. Só não faremos alienação, venda ou transferência do controle”, disse Jungmann.

O ministro de Michel Temer diz ainda que os países não repassam o controle das empresas que atuam na fabricação de equipamentos de Defesa, ao lembrar da ação golden share que detém o governo brasileiro sobre a Embraer. Segundo ele, o governo ainda não recebeu uma proposta concreta da Boeing, mas que a expectativa em torno das tratativas é positiva. “A Defesa torce para que essa parceria avance”, ressaltou.

Segundo o ministro Jungmann, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área de Defesa são muito elevados. Ele afirma que o cargueiro tático KC-390, desenvolvido pela Embraer, só avançou porque o governo investiu R$ 6 bilhões e se comprometeu a comprar 28 aeronaves do modelo. O acordo com a Boeing também teria potencial de elevar a competitividade da companhia brasileira no segmento de aviões civis, como o E-195.

Mesmo sem um modelo definido para a parceria com a Boeing, como compra de ações ou associação, a Embraer pretende manter conversas com o governo para mostrar o melhor caminho para a empresa, o que poderia render frutos para o país.

A empresa vê de forma favorável a associação com a Boeing num mercado que vem se consolidando. O segmento de aviões regionais vem ganhando novos concorrentes de China e Rússia, e a canadense Bombardier fez acordo recente com a europeia Airbus.

Já o diretor do sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Herbert Claros, criticou a negociação. “Temos certeza de que a negociação incluirá tanto a área de jatos executivos quanto a de Defesa, já que Boeing e Embraer têm parceria para a venda do KC-139 no exterior. Isso preocupa porque defendemos, além da preservação dos empregos, a manutenção da soberania da Embraer no segmento de Defesa”, afirmou.

As informações são do jornal O Globo.

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