INSS deixa sem auxílio trabalhador doente que precisa de cuidados especiais

Brasil Dá para acreditar?

A burocracia, a falta de funcionários e o descaso como vêm sendo tratados os beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) tem deixado mais de 1,4 milhão de pessoas sem acesso aos seus direitos. Entre esses trabalhadores está o jornalista Willian Rafael Schaliante, o Will, de 30 anos, internado desde janeiro. O drama da família de Will, além da preocupação com o seu estado de saúde, piora por causa da saga burocrática que o INSS impõe para pagar o auxílio-doença que ele tem direito.

Na noite de 29 de janeiro deste ano, Will caiu da escada rolante da estação do Metrô Ana Rosa, em São Paulo, sofreu um trauma cranioencefálico grave, que o levou a ficar em coma induzido por mais de dois meses. Até hoje, ele continua internado no Hospital Nove de Julho, graças a um convênio médico.

Em 7 de março, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos de Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP), onde o jornalista trabalha, fez o primeiro pedido de perícia médica. De posse do laudo, a mãe dele, Yara Cristina Schaliante, levou o documento ao INSS. Ao chegar foi atendida por uma médica sem jaleco, vestida com uma roupa de academia de ginástica, que simplesmente disse que o próprio Willian deveria comparecer pessoalmente.

“Eu disse a ela: doutora, quer que eu traga a UTI do hospital Nove de Julho até aqui?. Pois, se a senhora não leu o relatório médico ele está em coma na UTI. Após isto, ela disse que ia liberar um mês de pagamento do benefício,mas que na próxima perícia o paciente deveria comparecer. Um absurdo”, conta a mãe de Willian, que não conseguiu identificar o nome da médica que a atendeu, por falta de crachá.

Além da burocracia do INSS, dona Yara enfrenta agora a burocracia do banco, que exige uma procuração assinada pelo próprio Willian.

“Até agora o dinheiro não foi sacado, apesar de eu ter levado toda a documentação comprovando que meu filho está internado. E, se até o dia 31 de maio eu não resolver esta situação, o valor do benefício que ele tem direito volta ao INSS”, se revolta a mãe do jornalista, que ainda aguarda uma decisão de um juiz sobre a tutela judicial que pediu para liberar o dinheiro do filho.

Apesar de estar sem acesso ao valor do benefício, dona Yara conta que pediu uma perícia hospitalar para que Will possa passar a receber o auxílio-doença nos próximos meses, sem ter de ir pessoalmente ao INSS. O pedido foi feito no dia 2 de abril e a perícia foi agendada para o dia 16 do mesmo mês, às oito da manhã. Mais de um mês depois, nenhum perito compareceu ao hospital para verificar a situação do jornalista.

‘”Fui informada pelo atendente que o setor de perícia hospitalar foi comunicado em 10 de abril, mas que eu teria que esperar pois o médico poderia ir tanto antes da data agendada como depois, só que nada, até o momento, e o benefício está suspenso por falta da perícia”, lamenta a mãe de Willian.

Mesmo assim, dona Yara levou outro laudo ao INSS, no último dia 20, para reclamar da falta do perito.

“Um funcionário disse que eu deveria fazer uma queixa pelo número de telefone 135. Mas pra quê, se ninguém resolve o problema? Vai ser apenas mais um número nas estatísticas de reclamação”, diz dona Yara.

A mãe de Willian conta que seu filho conseguiu sair do coma e há a possibilidade dele ser liberado para um atendimento em casa (home care), mas ele não consegue ficar sentado nem numa cadeira de rodas e, ainda assim, o INSS insiste em que ele seja levado pessoalmente ao órgão.

“Vou ter de levá-lo numa ambulância para que o INSS veja o estado de saúde dele? É desumano”

– Yara Cristina Schaliante

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