Ibama queima máquinas em garimpos clandestinos na região sul do Pará

Negócios Ourilândia

Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) queimaram máquinas pesadas conhecidas como PC, na área de garimpos, localizados nos municípios de Tucumã/PA e Ourilândia do Norte/PA.

As máquinas estavam sendo utilizadas no processo de escavação para retirada de ouro na área de garimpos clandestinos.

A operação ocorreu na última sexta feira (20), e pegou os garimpeiros de surpresa. A reportagem não conseguiu informações se algum garimpeiro foi preso na operação.

As máquinas foram queimadas e destruídas pelo fogo que foi colocado pelos agentes do IBAMA.

Terra Indígena Kayapó, Pará

Terra Indígena Kayapó, Pará

Terra Indígena Kayapó, Pará

Terra Indígena Kayapó, Pará

Os trabalhadores da classe já se mobilizam para um protesto a ser realizado na terça-feira (24/10) na altura do km 140 da PA 279 (ponte sobre o Rio Caiteté), pois alegam que a água utilizada no processo não é descartada nos rios, sim reutilizada novamente na lavra do minério e que o governo não os quer legalizar, sendo assim também não pode destruir seus patrimônios.

O ouro na história/economia da região

A atividade garimpeira é bastante antiga na região sul do Pará com a extração de ouro, e esta mesma atividade foi decisiva na formação do Município de Ourilândia do Norte, pois seus primeiros moradores foram os garimpeiros, comerciantes.

Em 1981 o projeto de iniciativa privada (Andrade Guiterrez) possuía como meta povoar o grande espaço vazio existente na Gleba Carapanã trazendo  seus primeiros assentados, os colonos oriundos da região sul do País, por possuírem tradição agrícola e recursos próprios para se auto sustentarem, pelo menos no primeiro ano de assentados, contudo com as família pobres oriundas de todo o Brasil não podiam entrar e ficavam do lado de fora da Guarita de acesso ao projeto Tucumã. Essas famílias foram aumentando e precisavam se manter-se, para isso começaram a explorar o ouro que foi determinante para a formação do município de Ourilândia do Norte, desaparecendo com o tempo  e por anos com o fechamento dos garimpos.

Devido ao alto índice da crise financeira a atividade garimpeira retorna com grande alarde novamente nos últimos três anos, chamando a atenção até dos pequenos proprietários de terra e indigenas nos municípios de Ourilândia e Tucumã e São Felix do Xingu, a falta de fiscalização dos órgãos ambientais contribuíram para a explosão da quantidade de garimpos clandestinos e a total e irresponsável devastação do meio ambiente, sem nenhum tipo de controle ou projeto de recuperação ambiental.

Com o aumento da extração mineral nas proximidades dos municípios, o que se tem percebido é que, consequentemente, os impactos ao meio ambiente também sofrem grande aumento. Os rios Águas Claras, Rio Branco,  Caiteté e Rio Fresco encontram-se com suas águas totalmente poluídas e turvas. Ao olhar não se ver água, mas jorra-se lama escura, barrenta, sem vida.

A partir de Ourilândia em direção à São Felix do Xingu, máquinas e homens que só pensam no lucro, no minério extraído, não estão preocupados com a poluição das águas e a escavação do solo, numa brutalidade feroz estão determinados a liquidar os rios e a floresta,  degradando os rios e o solo com o uso da imensa quantidade de mercúrio utilizado nessa atividade, que acaba indo parar nas águas dos rios e no solo tornando os inférteis. Hoje a paisagem assusta pela transformação.

http://www.folhadeourilandia.com.br/wp/wp-content/uploads/2017/10/GARIMPO_RIB.jpg

Mesmo funcionando de forma clandestina, os garimpos e a exploração do minério precioso é responsável pelo aquecimento do comércio de Ourilândia do Norte e Tucumã, onde a venda do ouro é realizada na sua maioria nas duas cidades.

É possível extrair ouro legalmente minimizando o impacto para o meio ambiente?

Sim, para isso existe a Lei nº 11.685 de 02 de junho de 2008  que disciplina os direitos e deveres assegurados aos garimpeiros de forma a proteger o meio ambiente.

Porque muitos garimpos preferem operar na ilegalidade?

Existe o mercado negro do ouro que é abastecido por garimpos ilegais, pois os garimpos legalizados conforme a Lei nº 12.844/13, de 19 de julho de 2013 e Portaria DNPM nº 361, de 10 de setembro de 2014 no momento da venda de sua produção é obrigada a declarar a origem do ouro (muitos garimpos ilegais funcionam as vezes dentro de reserva indígena), indicando a permissão da lavra garimpeira com emissão de nota fiscal de venda, sendo necessário ser destacado o imposto no ato da venda do ouro, podendo chegar a ser cobrado até 27,5% de acordo com o valor da venda.

Entramos em contato com a Superintendência do Ibama no Pará, mas até o fechamento desta matéria não nos deu retorno.

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