Governo propõe rombo maior, de R$ 129 bilhões, para suas contas em 2018

Econômia

O governo admitiu que as contas públicas terão um rombo maior em 2018, segundo anúncio feito nesta sexta-feira (7) pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Até então, a meta atual de déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) era de R$ 79 bilhões para o próximo ano. A nova proposta, que ainda será enviada ao Legislativo, é de que o rombo fiscal de 2018 seja de R$ 129 bilhões.

Segundo a equipe econômica, a previsão de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 é de 2,5% – valor que está em linha com as estimativas do mercado financeiro.

O anúncio da equipe econômica precede o envio, ao Congresso Nacional, do projeto de lei de diretrizes orçamentárias. Por lei, esse documento, com propostas para a meta de resultado primário do governo, entre outros dados, tem de ser encaminhado ao Legislativo até o dia 15 de abril de cada ano.

Segundo o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o governo tem optado por encaminhar “metas críveis” para aumentar a credibilidade da política fiscal. Ele informou que a meta de R$ 129 bilhões de déficit nas contas do governo está muito próxima do consenso das estimativas do mercado financeiro.

“Em 2018, ainda sofreremos um processo de atraso na receita [arrecadação]. As empresas ainda estarão em 2018 acumulando muitos créditos fiscais de prejuízos dos anos anteriores. O nível de atividade, embora tenhamos uma recuperação considerável para 2018, não impacta imediatamente aa rrecadacação. Por isso que a arrecadação esta sendo manda praticamente estável”, disse o ministro.

O mercado financeiro, antes do anúncio da revisão da meta, já previa que a meta fiscal de 2018, de R$ 79 bilhões – que ainda está em vigor porque a mudança não foi aprovada pelo Legislativo – não seria atingida. Pesquisa realizada em fevereiro pelo Ministério da Fazenda em fevereiro com as instituições financeiras, e divulgada no mês passado, aponta para um déficit primário nas contas do governo de R$ 118,31 bilhões – bem acima da meta existente de R$ 79 bilhões.

 Em relatório divulgado em fevereiro deste ano, a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, já apontava para as dificuldades de atingimento da meta fiscal em 2018, que ainda é de R$ 79 bilhões, mas que o governo busca aumentar. Isso porque, para cumprir a meta de R$ 79 bilhões no ano que vem, a IFI indicava que seria necessário fazer um bloqueio recorde de gastos da ordem de R$ 84 bilhões – um valor considerado inviável por especialistas.

Deixe uma resposta