Carreteiros param por redução do preço do diesel

Brasil

Motoristas autônomos iniciaram nesta segunda-feira um movimento de paralisação por tempo indeterminado, com manifestações em diversas rodovias do Brasil.  As entidades coordenadoras das manifestações, sediadas por todo o País, afirmam que o movimento é pacífico e que todos os motoristas estão sendo orientados a não carregarem e a permanecerem parados nas empresas ou em casa. Segundo a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), os sindicatos também estão informando que caminhões carregados com cargas vivas, medicamentos, ambulâncias, ônibus e carros em geral não serão impedidos de trafegar pelas rodovias.

Na manhã desta segunda-feira, muitos motoristas que vinham da região Sul, e deveriam seguir em direção ao Rio de janeiro, estacionaram seus caminhões em postos da Régis Bittencourt ao invés de se arriscarem a ficar parados na via Dutra devido às manifestações. No entanto, as entidades coordenadoras do movimento informaram que a orientação é parar em postos de combustíveis nas rodovias e não promover bloqueio das estradas.

O presidente da CNTA, Diumar Bueno, afirmou que a categoria quer discutir com o governo federal o preço do diesel, pois os aumentos praticados prejudicam a população e elevam os custos de todos os setores produtivos do País. “Para se ter ideia, o preço do óleo diesel tem um impacto de mais de 50 % na planilha de custos dos caminhoneiros. Por isso, eles querem a criação de um subsídio ou a redução da carga tributária, como do PIS e COFINS, que custam13% sobre o valor do diesel e a alíquota do ICMS passa 20%”, disse Bueno. As assembleias tiveram início semana passada questionam também a cobrança de pedágio do eixo levantado quando o caminhão vazio.

Os 120 sindicatos que representam a categoria, associações e cooperativas realizaram assembleias durante toda a semana passada e decidiram pela greve devido à falta de respostas do governo federal a um ofício encaminhado no dia 15 de maio pela entidade, expondo o descontentamento da categoria com os constantes aumentos no preço do óleo diesel e a cobrança de pedágio mesmo quando o caminhão trafega vazio e com um dos eixos eixo suspenso.

O documento protocolado pela CNTA dia 15 de maio expunha também que a paralização poderia ser evitada assim que o governo abrisse negociação para atender as reivindicações da categoria. Diumar Bueno, destacou ainda que mais de 80% de tudo que é consumido no País seguem pelas rodovias, por isso setor é fundamental para economia. Acrescentou que, sem entrar no mérito da política de composição dos preços dos combustíveis, feito pela Petrobras, o Brasil é basicamente ’’rodoviarista’’, sendo, portanto, o diesel essencial para o setor de transportes e deveria ter valor diferenciado.

O ofício entregue ao governo federal, informou a CNTA, apresenta a insatisfação dos caminhoneiros com o baixo valor do frete e com os prejuízos acumulados há anos, agravada hoje pelos reajustes quase que diários no valor do diesel. A entidade lembrou que o último grande movimento de paralisação realizado pela categoria, em 2015, fez várias reivindicações e apesar de todos os esforços e discussões, poucas medidas foram tomadas, desde então, para resolver essa crise.

Em 2015 o governo federal sancionou a Lei 13.103/15, que suspende a cobrança de tarifa de pedágio dos caminhões vazios que passam com os eixos suspensos nas praças de pedágio, mas a medida só está sendo respeitada pelas concessionárias que administram as estradas federais. Nas rodovias administradas pelos estados, principalmente no do Paraná, São Paulo e em Mato Grosso, as concessionárias continuam cobrando dos caminhões com eixos suspensos e sem carga.

Ainda de acordo com o presidente da entidade, na manhã desta segunda –feira (21/05), a paralisação do transporte de cargas é maior em oito regiões do País. Os motoristas estão parados na Via Dutra, no Rio de Janeiro, em Vitória da Conquista, na Bahia, na BR 101, em Viana no Espírito Santo, na Grande Vitória, na Fernão Dias, Barbacena, Lavras, em Minas Gerais, no Paraná, nos dois sentidos da BR 116, em Quatro Barras, na BR 277, perto de Paranaguá, PR 151 em Castro e PR 090, em Assaí. Em São Paulo o movimento está concentrado na Dutra, Km 160, na Rodovia Anchieta e em Lorena e em Cuiabá, na BR 163, em Rondonópolis e Tangará da Serra, no Mato Grosso.

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