Barracões incendiados em São Félix do Xingu em ação do Ibama, Força Nacional e PM na Reserva Indígena Apyterewa

Brasil

Nem ainda esfriaram as chamas da revolta da população de Humaitá (AM), que ontem (27) incendiou a sede do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Incra em protestos contra a queima de máquinas em garimpos da região por equipes de fiscalização do Ibama, e nem bem foi desobstruída a PA-279, depois de 84 horas de protesto contra o mesmo Ibama, que queimou equipamentos de garimpeiros na Terra Indígena (TI) Kayapó, outra confusão acontece por ação de agentes do governo federal na Amazônia.

Na manhã deste sábado (28), homens da Força Nacional, Ibama e policiais militares queimaram barracões em uma localidade rural do município de São Félix do Xingu, aparentemente sem ordem judicial e sem explicar o motivo da ação. A área pertence à Terra Indígena Apyterewa, onde colonos foram assentados pelo Incra no passado e agora o mesmo governo federal quer forçá-los a desistir de anos de suor e trabalho, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou uma reserva indígena no lugar.

Segundo os relatos desesperados dos moradores pelas redes sociais, os agentes públicos chegaram incendiando os barracões, inclusive um que era usado para os trabalhos da associação de produtores da região. Como os moradores reagiram à ação, muitos foram alvejados com balas de borracha, como se fossem criminosos.

Do barracão da associação só sobraram as cinzas, em ação ainda mal explicada

“Atear fogo no barracão? A gente fez o quê? Qual crime? Estamos aqui plantando nossa roça. E estamos esperando uma solução do governo. Essa área é uma extensão de terra indígena e estamos aqui há mais de 30 anos”, diz o presidente da Associação Vale do Cedro, Vicente Lima.

Segundo ele, os colonos não receberam nenhuma ordem recente de desocupação e ninguém informou sobre o motivo da ação violenta de hoje por parte dos agentes do governo. O presidente da associação conta ainda que os colonos já mantiveram inúmeras reuniões com representantes do governo federal, inclusive ministros da Justiça, e esperam a revisão de laudos antropológicos que deram base à criação da reserva indígena e sobre os quais pesa a suspeita de serem fraudulentos. Porém, todos foram surpreendidos pela ação do Ibama, Força Nacional e PM.

“Eles chegaram, pegaram as ferramentas, geradores, peças de máquinas e um trator e colocaram fogo”, contou Lima. Segundo os agricultores, a operação foi liderada pelo capitão da Força Nacional identificado somente como Esnuk, com o apoio do Ibama e dos policiais militares.

Segundo um portal de notícias do sul do Pará, o comandante da PM em São Félix do Xingu, major Gledson…, teria declarado que sabia da operação e que a ordem veio do Comando Geral da Polícia Militar do Pará. O major teria informado ainda que nenhum dos policiais militares que participaram do evento é 36º Batalhão da PM em São Félix do Xingu, mas são de outros batalhões e foram ao município exclusivamente em apoio ao Ibama.

O G1 Pará afirmou que a Polícia Militar informou que a ação foi de combate ao desmatamento na região. A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup) disse que “em momento algum os policiais militares usaram da força no episódio”. Em nota, a Força Nacional de Segurança Pública informou que “somente foi acionada para garantir a segurança das pessoas e das instalações. As equipes não participaram da aplicação de medidas ambientais”, ou seja, nega participação no incêndio aos barracões.

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