Alfie Evans, o bebê que Itália quer salvar e Inglaterra não deixa

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Alfie Evans, de 23 meses, foi diagnosticado com uma doença neurológica degenerativa rara – da qual pouco se sabe – em 2016. A doença foi progredindo, o que levou ao internamento num hospital britânico (em Liverpool), em dezembro de 2016, com respiração auxiliada por máquinas.

Hospital britânico queria a eutanásia

No início desta semana, os médicos decidiram desligar as máquinas, por acharem não valer mais a pena continuar com o auxílio na respiração do bebê, devendo administrar-lhe os cuidados paliativos para que morresse sem sofrimento. O hospital considerou ser este o interesse superior da criança, alegando que qualquer tratamento adicional não só seria “inútil”, como “cruel e desumano”, segundo a BBC. O Tribunal Superior de Justiça britânico tinha autorizado, em fevereiro, que o hospital desligasse o respirador artificial.

A previsão dos médicos era de que o bebê não conseguisse respirar sozinho, mas o menino manteve-se até, pelo menos, seis horas depois, sem qualquer problema. A equipa médica do hospital britânico ficou “pasmada”, segundo relatou o pai da criança, aceitando, por isso, oxigenar e hidratar o rapaz, que tem estado até hoje a respirar apenas com a ajuda de oxigênio.

Os pais da criança, Tom Evans, de 21 anos, e Kate James, de 20, foram contra a decisão de desligar as máquinas por considerarem que a vida do filho ainda fazia sentido e que ele não parecia estar em sofrimento. Queriam levar Alfie até mais hospitais para que outros médicos avaliassem o caso, na esperança de haver cura, ou, pelo menos, algum tratamento que salvasse a vida do menino.

Um “exército” a apoiar Alfie

Tom tem estado a mover todo o apoio que consegue: lançou uma campanha online e criou um grupo de apoiantes #AlfiesArmy, que têm vindo a manifestar-se e a mostrar a controvérsia que o caso tem provocado. Além disso, por ser católico, decidiu também pedir ajuda à Igreja, falando com o Papa Francisco, que manifestou apoio e pediu que fossem respeitados os desejos da família de Alfie. O hospital pediátrico do Vaticano, inclusive, disponibilizou-se para receber o menino.

Durante as longas horas em que Alfie esteve a respirar sem qualquer ajuda, os pais conversaram com o hospital em Roma para tentarem encontrar uma solução para salvar o filho, tendo o governo italiano mantido um avião pronto a ir buscar o menino, caso a justiça britânica desse, finalmente, permissão.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Itália tentou encontrar uma solução com o conselho britânico, mas em nada resultou, “obrigando-o” a tomar a medida excecional de atribuir a cidadania italiana a Alfie. Depois dessa decisão, o embaixador de Itália em Londres avisou que, se o hospital desligasse a máquina e o bebê morresse, Itália agiria contra o Estado britânico por homicídio de um cidadão seu.

Caso chega à Justiça, mas é negada a vontade dos pais

Como é habitual nestes casos em que os familiares não concordam com os médicos sobre os interesses superiores das crianças, o caso foi a tribunal. No entanto, a decisão judicial foi sempre igual, mesmo depois de vários recursos, que se esgotaram na segunda-feira: dar razão aos médicos ingleses e impedir Alfie de viajar. O tribunal declarou temer que o bebê morresse durante a viagem até Itália.

A única solução que o juiz do caso apresentou foi a possibilidade de os pais levarem o filho para casa. Descrevendo Alfie como “lutador, resistente, valente e guerreiro”, o juiz pediu ao hospital britânico que explorasse todas as opções de cuidados paliativos, “criativa e ambiciosamente”. Os pais do menino recorreram ainda desta decisão, mas, esta quarta-feira, um tribunal superior ratificou a deliberação.

Pais tentam levar filho para casa e acreditam em “diagnóstico incorreto”

Esta quinta-feira, Tom e Kate vão reunir com os médicos para tentar levar Alfie para casa. O pai do menino diz acreditar, em declarações aos jornalistas, que o filho não precisa mais de cuidados intensivos, uma vez que “está deitado na cama com um litro de oxigênio a correr nos pulmões e o resto é ele”. Tom Evans admite ainda que o caso “não é um milagre” e sim um “diagnóstico incorreto”.

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